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Tecnologia

Identificação de variedades

Marcadores de DNA são extremamente potentes para a resolução de questões de identidade e discriminação e por isso atendem com perfeição os requerimentos do teste de DHE – Distinguibilidade, Homogeneidade e Estabilidade.

O teste DHE é o procedimento técnico de comprovação de que a nova cultivar ou a cultivar essencialmente derivada são distinguíveis de outra cujos descritores sejam conhecidos, homogêneas quanto às suas características em cada ciclo reprodutivo e estáveis quanto à repetição das mesmas características ao longo de gerações sucessivas.

Isto se deve à natureza analítica dos marcadores que se baseia na detecção direta da variabilidade existente na seqüência de DNA. Fazendo um paralelo, é possível verificar que os marcadores apresentam características convergentes com os requerimentos legais para a proteção de um cultivar.

Os marcadores de DNA se caracterizam pela:

a) Unicidade: cada indivíduo tem um perfil de DNA único com exceção de clones de uma planta ou gêmeos univitelinos no caso de animais;

b) Imutabilidade: ou melhor, mutabilidade extremamente baixa (da ordem de 10-4 a 10-6/geração; o DNA de um indivíduo é o mesmo em todas as células e este é estável ao longo de sua vida;

c) Estabilidade física: moléculas de DNA podem ser recuperadas, purificadas e analisadas com sucesso a partir de praticamente todo e qualquer material biológico da planta, independentemente do tecido, idade, condição fisiológica ou mesmo em degradação;

d) Variabilidade: apesar do fato de que a maior parte do genoma é muito conservada entre indivíduos, algumas regiões genômicas específicas são altamente variáveis permitindo uma discriminação altamente precisa, quantificável e reproduzível com alta precisão entre laboratórios distintos.

Para a proteção de cultivares, além dos aspectos de co-dominância, estabilidade genética, baixa mutabilidade e robustez analítica, é absolutamente crucial que o marcador molecular utilizado permita determinar com precisão a identidade dos alelos e com isso fazer comparações acuradas de resultados em diferentes momentos e entre diferentes laboratórios.

Diversas tecnologias para a detecção de marcadores moleculares têm sido desenvolvidas nos últimos anos. Marcadores RAPD e AFLP, embora altamente polimórficos, apresentam sérias limitações de robustez violando uma das premissas básicas de estabilidade do descritor.

Além disso, estes marcadores apresentam herança dominante o que complica sobremaneira a análise de transmissão de marcadores entre gerações para estudos, por exemplo, de cultivares essencialmente derivados.

Os descritores moleculares internacionalmente recomendados para a identificação individual de plantas, animais e seres humanos são baseados em segmentos curtos de DNA de 1 a 7 pares de bases repetidos em tandem conhecidos como microssatélites.

Para a resolução de diferenças de 2 pares de bases entre estes produtos, que correspondem aos alelos, a análise é realizada em géis de eletroforese de alta resolução com detecção automatizada de fluorescências em sequenciador automático de DNA. Os alelos são identificados pelo seu tamanho em pares de bases de DNA.

Os marcadores microssatélites são altamente polimórficos, ricos em formas alélicas, possibilitando uma análise genética acurada e um elevado poder de resolução para testes de DHE bem como em testes de parentesco e identidade genética mesmo em situações de forte parentesco entre clones.

Adicionalmente, marcadores microssatélites são transferíveis de genoma para genoma dentro de uma espécie e entre espécies geneticamente relacionadas.

A análise de marcadores microssatélites é realizada identificando-se as formas alélicas que um determinada planta possui em locos definidos dos cromossomos, comparando-as com formas alélicas conhecidas para a espécie, permitindo, portanto, estimativas precisas e estatisticamente formais de vínculo genético e/ou identidade, bem como declarações categóricas de não-identidade ou parentesco.

A técnica de análise de microssatélites é utilizada rotineiramente com sucesso na geração de estimativas robustas de individualidade genética para inúmeras espécies vegetais, animais e em humanos, constituindo hoje o padrão internacional em investigação genética forense.  Topo

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